A imagem feminina em Star wars: Princesas, Generais e Jedis

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A Princesa Leia Organa aparece pela primeira vez em Star Wars IV, o filme mais antigo da sequência trabalhando contra o império corrompido. No entanto, não demora muito para que, de certa forma, vire a princesa em perigo. A seu resgate surgem Luke – que faz questão de dizer, antes mesmo de conhecê-la em pessoa, o quão linda ela era na mensagem gravada para Obi-Wan Kenobi – e Han Solo. Cabe ressaltar no entanto, que Leia não era o protótipo fiel da princesa em perigo: ela é corajosa, participa das lutas, e até mesmo resgata Han Solo no filme seguinte. E, ainda que tenha sido sexualizada – ao ponto de virar a mulher dos sonhos dos adolescentes da época – em seu biquini de escrava, a mesma consegue escapar, matando aquele que achou que podia dominá-la.

Mesmo assim, algo que parece irritar ou ao menos confundir muitos dos fãs, é o porquê de Leia nunca ter sido treinada como Jedi, mesmo possuindo, em teoria, a mesma herança biológica de Luke e, portanto, uma quantidade elevada de midi-chlorians, que seriam um tipo de organela celular que existiria em abundância entre aqueles capazes de utilizar a força.

Segundo Luke, que reproduz parte do que Kenobi lhe diz:

“A força é poderosa na minha família. Meu pai a tem. Eu a tenho. Minha irmã a tem.”

Mesmo assim, Kenobi treina Luke, e apenas Luke, para lutar contra Darth Vader, que se tornaria um dos vilões mais temidos da história do cinema. Parece estranho, tendo tão pouco tempo a se dispor para treinar e pela fama do inimigo, que um Jedi seja melhor escolha do que dois. Mesmo assim, Leia continuou sendo uma boa personagem em comparação à época: inteligente, destemida e meio estrategista, se saiu muito bem inclusive com a arma em punho. Líder da resistência, reconhecida e respeitada, reapareceu no final do ano como General Organa, sem perder nenhum dos atributos que possuía. Ainda assim, comentários sobre ela ter envelhecido mal tomaram as redes sociais. Todos envelheceram, de fato, e ninguém comenta sobre o envelhecimento de Han Solo ou Luke. Será isso um sinal de que, ainda que nossos heróis possam envelhecer, uma parte do público ainda espera que as heroínas sejam lindas e juvenis pelo resto da vida?

No extremo oposto temos a mais nova personagem feminina da saga, Rey. Uma ótima aquisição em termos de representação: finalmente uma jedi feminina – já que eram poucas – que de fato possui um papel central na trama. Rey encaixa em toda imagem criada sobre os Jedis nos filmes anteriores: de origem pobre, mas honesta, corajosa, proficiente na luta.

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Mesmo assim, o público – ou melhor, parte dele – pareceu não gostar da personagem, que logo foi taxada de Mary Sue. Mary Sue é um termo criado no campo das fanfics – estórias escritas por fãs e disponibilizadas na internet – para descrever um personagem feminino perfeito que muitas vezes, sendo desenvolvidas por mulheres-autoras, são vistas como idealizações das próprias escritoras dentro da narrativa.

O problema é, ainda que exista o termo masculino, Gary Stu, personagens masculinos perfeitos raramente são acusados de serem bons em tudo e por isso tornarem a estória menos interessante. Se logo dizem que as ações que se seguem são impossíveis, ninguém duvida, no entanto, da habilidade do personagem de Tom Cruise em Missão Impossível 3, mesmo quando, por exemplo, decide dar um choque em si mesmo para desativar uma nanobomba posta em seu cérebro.

Assim, se Anakin utiliza a força na tenra idade para ganhar uma corrida ou mesmo se Luke se torna Jedi em pouquíssimo tempo, o público não parece se incomodar, uma vez que a força, de fato, estava com eles. Mas se Rey depois de uma experiência poderosa com a força, consegue lutar contra um vilão em treinamento e ferido, ou mesmo consegue manipular mentalmente, com certa dificuldade, um dos soldados da primeira ordem, logo é vista como perfeita demais e se torna alvo de críticas. A força só poderia, então, aparecer com tamanha grandeza, entre os jedis do gênero masculino?

Mas se parte do público peca num momento, o resto reivindica. Estranhamente, ainda que fosse a principal do filme, Rey não ganhou, de início, nenhum brinquedo em sua homenagem. O robô, o companheiro de Rey, os soldados da primeira ordem, todos tinham bonecos os representando. Para a principal, nem mesmo espaço no jogo Monopoly na versão do novo filme pareceu existir. Mas através das mães de muitos meninos e meninas que queriam ver a personagem em seus brinquedos, a mesma recebeu espaço.

Assim, os tempos parecem estar melhorando. Às vezes, damos passos para trás, esperando das mulheres beleza eterna e habilidades que não se destaquem da média, mas, em outras, comemoramos os espaços positivos que ganha, e torcemos que, apesar de tudo, a situação continue melhorando.

Veja também:

Afinal, o que é uma Mary Sue?

Rey from Star Wars: The Force Awakens ain’t a “Mary Sue.”

https://ideiasemroxo.wordpress.com/2016/01/05/o-termo-mary-sue-e-o-caso-da-rey/

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