Pedalando por aí

Ciclovias, ciclofaixas e pedaladas em Niterói

Por Ana Clara Campos, Janaína Medeiros e Raphaela Ayres

 

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Foto por Ana Clara Campos

As magrelas são velhas conhecidas de todo mundo. Antes passeando pelos parques e à beira-mar, elas viraram alternativas de transporte para quem quer fugir do trânsito cada vez mais pesado das grandes cidades. Os ciclistas agora dividem espaço com outros veículos e enfrentam diariamente situações, nem sempre agradáveis, de quem optou por um meio de transporte amigo da natureza.

O aumento da demanda dos ciclistas fez com que a prefeitura criasse o programa “Niterói de Bicicleta” para incentivar o uso de meios de locomoção alternativos, como bicicletas, skates e patins. Segundo o responsável pelo projeto, Argus Caruso, a inserção desses meios de transporte no cotidiano das grandes cidades é uma tendência mundial da qual Niterói não podia ficar de fora.

O projeto possui 30 quilômetros entre ciclofaixas e vias (veja a diferença no infográfico) e 10 em construção. A escolha das ruas que recebem é influenciada pelas necessidades da população. “Estamos fazendo um Plano Cicloviário participativo, já realizamos mais de dez encontros até agora” afirmou o coordenador.

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O Circuito Universitário, que liga universidades e museus, foi o primeiro a ser implantado e faz a conexão entre Icaraí, bairro mais populoso da cidade, e o Centro. No entanto, o trabalho não é fácil, sempre há mais por fazer e melhorias a serem realizadas.

O desafio vai muito além da delimitação do espaço para ciclistas. É preciso conscientizar a população, especialmente os motoristas de ônibus e carros. Ações promovidas pela prefeitura visam a melhorar o cotidiano de quem pedala sua bike. “O trabalho não tem fim. Agora estamos focando nas escolas e a Nittrans também realizou a Semana Nacional do Trânsito, voltada para as locomoções alternativas” explicou Argus.

Em cima da magrela

Nem tudo são flores no caminho de quem pedala nas ciclovias niteroienses. As faixas nem sempre são respeitadas e muitas ruas importantes ainda estão para receber suas vias. Até lá, os ciclistas se viram como podem para manter seu estilo de vida.

O estudante Lucas Garcia costuma andar de bicicleta todos os dias, mesmo nos fins de semana. Para ele, os pedestres ainda não têm consciência da exclusividade das vias e muitas vezes caminham no espaço destinado especificamente para as bicicletas. Ele aponta também que em horas de menor movimento, como no período da noite, caminhões e veículos acabam estacionando nessas faixas exclusivas.

Para mudar tal situação, Lucas destaca a necessidade de investir na educação. “O ideal seria o trânsito sem delimitações ou demarcações, uma cidade para as pessoas, compartilhada, sem segregadores, mas isso requer tempo e investimento em fortes campanhas de educação. Agentes fiscalizando, treinamentos em empresas de ônibus e cobrança nas Auto Escolas podem ajudar.”

Além disso, Lucas apontou que a malha cicloviária não recobre todo o espaço da cidade, destacando a sua ausência nas regiões Oceânica e Norte. Mas acredita que a cobrança da sociedade e o número cada vez maior de ciclistas podem contribuir para mudar essa situação.

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Mapa do projeto cicloviário “Niterói de Bicicleta” Fonte: Prefeitura de Niterói

Lucas defende o uso das bikes, falando sobre a relação custo-benefício dessa escolha. “É comprovado que a bike é o melhor custo benefício até 5km de trajeto. Niterói sofre com a valorização de terrenos e imóveis, prédios não param de subir e onde tem prédios tem pessoas e onde tem pessoas tem carros, onde tem carros tem menos vida!”

Marcelo Rêmulo, 50 anos, é ciclista de fim de semana. “O carro, no meu dia a dia, é uma ferramenta de trabalho, então fica complicado fazer uma opção pela bicicleta durante os dias de semana. Aos finais de semana procuro fazer o máximo possível com ela.” Morador de São Francisco, costuma ir de bicicleta para Icaraí com frequência, mas reclama da falta de estrutura do trajeto. “Eu venho pela Fróes, porque pelo túnel não tem condição, é muita poluição. A ciclovia na Fróes é sinalizada, mas ninguém respeita. Pedestres caminham por ela, carros estacionam na ciclovia e ultrapassam por ela, e a fiscalização é bem ineficaz.”

Para Marcelo, as ciclovias são grandes aliadas no incentivo ao uso das bikes. “É bom que haja mais caminhos para o ciclista, para incentivar o uso de bicicletas, e melhorar o trânsito. Conscientizar a população também é importante, mostrar que dá para pedestre, ciclista e veículos de grande porte coexistirem pacificamente. Isso vai levar algum tempo, porque quando a urbanização começa errada, fica muito difícil melhorar depois.”

O representante comercial falou também da necessidade da implantação de uma estrutura de apoio. “Além da pouca oferta de ciclovias, não existe lugar suficiente para guardar a bicicleta com segurança, e não dá pra carregar no bolso, né?”

Niterói ainda não tem dados concretos sobre o número de ciclistas na cidade. Uma pesquisa começou a ser desenvolvida pela Prefeitura, mas ainda está em etapa inicial. Na esquina da Amaral Peixoto com a Marquês do Paraná, por exemplo, já foram contabilizadas mais de 100 bicicletas por hora.

Vantagens da bicicleta

As vantagens desse meio de transporte alternativo são várias. O projeto “Vá de Bike” destacou a economia de tempo e de dinheiro, ser mais saudável para o meio ambiente e reduzir o estresse, o que acaba aumentando a produtividade no trabalho.

Lucas, morador de Pendotiba, exemplifica bem uma dessas vantagens. “Uso a bike como alternativa no meio de transporte. Moro em Pendotiba e o percurso que faria em 1h20m de ônibus fica em 30, 35min de bike. A distância é cerca de 11km.” Já Argus Caruso destacou a maior eficiência das bicicletas em relação aos automóveis particulares, que além de não gerarem congestionamento nas ruas e contribuem para a saúde dos usuários.

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Fonte: Istoé. Segundo a Prefeitura de Niteroi, a densidade da malha cicloviária da cidade (hab/km) já é uma das melhores do Brasil com 15.934 hab/km.

 

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