Ponto a ponto

Por Lucas Bastos e Fábio Peixoto

Uma quadra, uma rede, raquetes e uma peteca. Esses são os itens necessários para a prática do Badminton, um esporte em crescimento no Brasil. A modalidade corre por fora em busca de atenção e incentivo, principalmente pela concorrência com esportes gigantes em popularidade e ganhadores de medalhas como o vôlei e o futebol.

Entre 5 e 21 de agosto de 2016, o Rio de Janeiro será a cidade-sede dos XXXI Jogos Olímpicos e Paralímpicos e o Brasil terá representantes nas 28 modalidades que serão disputadas, com isso, debutantes nos jogos, os atletas brasileiros do Badminton pretendem agarrar essa oportunidade para aparecer para o grande público.

Brasil e Badminton: ainda pouca intimidade

O Brasil ainda tem pouca tradição quando o assunto é Badminton. O resultado mais expressivo foi a medalha de bronze conquistada pelos brasileiros Guilherme Kumasaka e Guilherme Pardo na categoria duplas masculinas nos Jogos Pan-americanos de 2007, disputados no Rio de Janeiro.

Embora o Badminton possua tantas semelhanças com o Tênis, algumas diferenças são determinantes. Uma das principais é o custo do equipamento. Enquanto um equipamento básico de tênis, raquete e bolas, chega a custar R$ 300, é possível adquirir um conjunto de raquetes iniciantes e petecas de badminton por R$ 60. Outra diferença fundamental para entender a diferença de popularidade entre as duas modalidades no Brasil é a ausência de um Guga no Badminton, um campeão mundial e patrono do esporte no país.

E é esse panorama que Gabriel Alcântara pretende modificar. Alcântara é responsável por diversos projetos de incentivo ao esporte na cidade de Niterói. Ele dá aulas de Badminton no Jurujuba Iate Clube, faz um trabalho social na Comunidade do Cubango e é professor voluntário no Estádio do Caio Martins, onde dá aulas gratuitas para quem quiser conhecer e aprender o esporte. O Badminton está em sua vida desde os 05 anos de idade, quando praticava vela, “O badminton tem um histórico correlato ao da vela, pois precisamos do vento para velejar, e da ausência dele para não alterar a trajetória da peteca, que é muito leve”.

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Caio Martins: local que recebe o projeto social do professor Gabriel Alcântara

O Projeto no Caio Martins

O projeto desenvolvido por Gabriel no ginásio poliesportivo do Caio Martins tem como intuito atender a comunidade. O espaço foi cedido pela administração do local a professores de diversas atividades, entre elas o Badminton. Toda segunda e quarta feira, das 19:30h às 21:30h, crianças, homens e mulheres de todas as idades suam a camisa e se divertem praticando a modalidade. Segundo Alcântara, o número de participantes passa de 100, entre alunos regulares e eventuais.

Essa diversidade de participantes é destacada pelo professor como um dos pontos positivos do projeto. “Aqui no Caio Martins é esse o nosso foco maior, a socialização da galera”. Alcântara também destaca o prazer proporcionado pela atividade física. “Você começa a jogar e é muito gostoso né, você nem sente né, daqui a pouco já tá suando, interagindo, socializando”.

Gabriel fala com orgulho sobre o seu projeto, mas ressalta as dificuldades: “O Material é todo meu, eu que trago as raquetes, petecas, redes, postes… A gente ainda não tem nenhum patrocínio, sabe”. Gabriel define o grande desafio enfrentado pelo Badminton no país: “A galera quer os resultados, quer que o Brasil seja uma potência olímpica, mas cadê os investimentos desde a base? Não adianta treinar o cara faltando 1 ano para a Olimpíada”.

Semente para o futuro

Mesmo enfrentando essas dificuldades, o trabalho de Alcântara, já rende frutos. Felipe Ribeiro, 14 anos, começou a jogar badminton com o professor no projeto pró-Cubango em 2011 e com sua ajuda conseguiu um resultado surpreendente: foi campeão brasileiro sub-13 tanto em simples quanto em duplas. “Fomos com a intenção de conhecer os competidores, ver como era o campeonato, mas conforme fui ganhando os jogos, o Gabriel me motivou e falou que eu poderia ganhar, e foi isso que aconteceu”, conta.

A galera quer os resultados, quer que o Brasil seja uma potência olímpica, mas cadê os investimentos desde a base? Não adianta treinar o cara faltando um ano para a Olimpíada. Gabriel Alcântara

Felipe participa dos treinos em todos os projetos do professor, mesmo que dispute campeonatos em alto-nível. “Venho pra ajudar, interagir com o pessoal e retribuir tudo que o Gabriel faz por mim, sem ele eu não teria ido para o campeonato, que foi em Porto Alegre-RS. Ele pagou minha passagem e me treinou. Ele é como se fosse um segundo pai para as crianças do projeto”. Felipe pretende seguir no badminton, mas segue focado nos estudos (está cursando o 1o ano do ensino médio) e quer fazer faculdade de educação física.

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Felipe Ribeiro, campeão nacional de Badminton: bons resultados mesmo com pouco incentivo ao esporte

Para os interessados em conhecer o Badminton, o Projeto de Alcântara acontece no Ginásio do Caio Martins, no bairro de Icaraí – Niterói as segundas e quartas das 19:30 as 21:30 – É gratuito e não precisa dispor de equipamento próprio.

VOCÊ SABIA?

– O Badminton originou-se na Índia com o nome de Poona e era jogado por marinheiros ingleses que aprenderam o jogo em suas viagens e os levaram pra Europa.

– O nome do esporte é uma homenagem à propriedade de mesmo nome, de propriedade do Duque de Beaufort´s, berço da modalidade em sua versão moderna.

– Os primeiros jogos olímpicos onde o Badminton foi disputado foram os de Munique, em 1974, como exibição. Apenas em Barcelona-92 a disputa começou a valer medalhas.

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