Esperança para o Tiro com Arco

Treinadora de apenas 25 anos fundou um stand que em um ano já conta com 60 alunos

Por André Borba, Felipe Magalhães e Gabriela Antunes

 Fotos de Felipe Magalhães

Há seis anos, a estudante de Biomedicina Thais Ribeiro Teixeira resolveu procurar um esporte com o qual se identificasse. Ela buscava uma modalidade que não envolvesse muita correria e contato físico e acabou descobrindo o Tiro com Arco. Acompanhada por seu pai, Alexandre Teixeira, começou a treinar no Club Municipal e se apaixonou. Hoje, aos 25 anos, Thaís desistiu de ser biomédica, está cursando Educação Física e fundou – novamente na companhia do pai – a Archeria Carioca, uma escola de Tiro com Arco no bairro do Cosme Velho.

Com o número reduzido de escolas de Tiro com Arco existentes na cidade, Thais e Alexandre viram no aumento da procura por este esporte a oportunidade de fundarem um novo espaço dedicado a ele. O resultado veio rápido. Em um ano de funcionamento já são 60 alunos. Thais declarou que o sucesso foi maior do que esperava. “Principalmente porque não houve muita divulgação. Eu criei uma página no Facebook, nós não temos site. E no início do ano publicamos um anuncio num caderno de bairros. Mas a maior parte das pessoas que procura ou viu no Facebook ou recebeu indicação de alguém”.

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Thais Teixeira: de atleta à empresária

O aumento da procura por esta modalidade nada popular em nosso país deve-se principalmente à popularização do arco e da flecha na cultura pop, principalmente no cinema. “Na verdade teve um boom na época dos Jogos Vorazes, porque já existia o livro, mas o público do livro é um público bem menor, quando foi para o cinema a coisa estourou, e aí tem Senhor dos Anéis, o Hobbit, que tem os arqueiros. Então, a maior parte das pessoas que vem procurar, ou é o pessoal do RPG, ou é o pessoal do cinema”.

Para conquistar os alunos14072105268_faa6134a9b_o, as aulas devem ser agradáveis e não criar uma má impressão logo no início. Mesmo sabendo que o aperfeiçoamento da forma de atirar é essencial, a instrutora divide os treinos em duas partes e na segunda deixa que os aspirantes a arqueiro atirem mesmo sem dominar a técnica. “Nosso objetivo na primeira aula é que eles acertem as três flechas o mais próximo possível umas das outras. Para as  crianças, por exemplo, a gente coloca um alvo um pouco maior, não pode ser frustrante.” Além disso, ela considera que uma das grandes qualidades deste esporte é o seu caráter terapêutico. “Muitos dos alunos, da noite principalmente, saem do trabalho e vêm treinar, e aí isso aqui é a válvula de escape. Tem dia que chegam a mil e eu falo: vai lá, vai atirar, outro dia a gente treina de verdade, hoje só coloca para fora. O pessoal brinca que é melhor que terapia.”

Apesar da pouca idade, Thais tem uma trajetória de veterana no esporte. Foi primeiro atleta, conquistando o título estadual de 2012. Neste mesmo ano, uma lesão a forçou a se afastar das competições. Resolveu, então, fazer um curso de instrutora e depois de estar apta a dar aulas surgiu a ideia da Archeria. Desde então, além de dar aulas, a arqueira continua se aperfeiçoando – acaba de voltar de um curso nos Estados Unidos – e, recuperada da lesão, pretende voltar a participar de competições assim que sobrar tempo para intensificar os treinamentos.

Um dos motivos que levou pai e filha a abrir seu próprio espaço foi o fato de o Tiro com Arco ser pouco valorizado nos outros clubes onde é praticado. Quando ainda eram atletas, viram diversos clubes fecharem seus stands e outros – como o próprio Club Municipal – sobreviverem através dos esforço dos atletas. Com a criação da Archeria eles não precisam mais se preocupar em perder espaço para o futebol, como muitas vezes acontece nos grandes clubes. “Você vê que para a Copa já deram um jeitinho, para as Olimpíadas não tem nada pronto. Só tem mais dois anos. Então, o problema do futebol é esse, qualquer campo virou campinho de futebol, não tem espaço para mais nada, então acaba sendo complicado.”

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Empreendedorismo e paixão: a receita da Archeria Carioca

Mesmo com todas as dificuldades as perspectivas da Archeria Carioca são as melhores. Três dos seus atletas estão participando das competições principais e os mais jovens conseguiram bons resultados nos jogos entre escolas – duas meninas de 14 anos ficaram entre as três melhores estadual e nacional. Thais – que está no terceiro período da nova faculdade – não se arrepende da escolha que fez. A jovem se encontrou no curso de Educação Física e está feliz.

 

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