Lixo orgânico: um problema que pode se tornar uma solução

Por Jackeline Chagas e Natasha Dias

Índice de desperdício de alimentos / Foto: Reprodução

Índice de desperdício de alimentos / Foto: Reprodução

 Quando se fala em reciclagem, a imagem que vem à cabeça é a de plásticos, vidro, alumínio e outros materiais. Pouco se fala no lixo orgânico, além do papelão. Mas o que acontece com as sobras de alimentos?  Por ano, 22 milhões de toneladas de alimentos viram lixo no Brasil, segundo dados do IBGE. Estima-se que 64% de todo alimento produzido no país é desperdiçado e 20% disso ocorre dentro das residências, por causa de hábitos inadequados. Na maioria das cidades, esse resíduo se torna um problema e uma bomba ambiental na mão do governo. Mas, se bem aproveitado, pode ser um bom negócio e gerar lucro.

O material orgânico, apesar de ser de fácil decomposição, precisa ser reciclado como qualquer outro resíduo. Restos de comida, cascas de frutas e legumes, casca de ovo, sacos de chá e café, folhas, caules, flores, aparas de madeira, cinzas, representam mais da metade do lixo que jogamos fora todos os dias.

A professora Natalia Barbosa, do departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que ainda falta consciência da população e incentivo do governo.

“Se não tiver um processo de reciclagem, o lixo orgânico se tornará uma fonte de contaminação. Ainda estamos muito distantes do equilíbrio entre produção e reciclagem, apesar de ser uma coisa bastante simples. Pequenas mudanças de hábitos dentro de casa podem fazer grande diferença”.

Foto: Reprodução

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Antes de se pensar na reciclagem, é necessário também pensar no consumo. Muito do que é jogado no lixo ainda pode ser utilizado, como por exemplo a casca do abacaxi para fazer suco (Veja a receita). Algumas empresas já perceberam o potencial do lixo e investiram nele, como é o caso da Vide Verde, que recolhe e faz a compostagem de materiais orgânicos para produzir um composto altamente fértil. Mas a compostagem é um método simples, que também pode ser feito em casa, com uma caixa de plástico, algumas minhocas e um cantinho seco.

A princípio, todo o lixo orgânico é enviado juntamente com o não reciclável, para aterros sanitários, lixões ou usinas de incineração. No lixão, que é o meio mais utilizado, o lixo é depositado em extensas áreas a céu aberto, sem qualquer tipo de tratamento ou critério sanitário de proteção ao ambiente.  Como não há impermeabilização, o solo fica exposto à degradação e há risco de contaminação dos lençóis freáticos por um líquido chamado chorume, que possui compostos orgânicos de difícil degradação.

Foto: Reprodução

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 O professor do Departamento de Ecologia da UFF Luis Renato Vallejo, conta que muito dos problemas que temos hoje, é proveniente do descaso de anos dos governos e explica o perigo que isso pode acarretar. “Hoje, no Brasil, mais de 70% dos municípios usam o lixão como forma de descartar seu lixo. Esse meio é totalmente inapropriado. O investimento em aterros ainda é muito baixo, assim como o percentual de lixo orgânico reciclado”, comenta Renato.

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